Menu Principal

Entrega de uma roçadeira à assistida Joice

Entrega de uma roçadeira à assistida Joice

        No dia 17 de agosto de 2018, foi...

Ressocialização: detentas produzem produtos diversos em Dourados (MS)

Ressocialização: detentas produzem produtos diversos em Dourados (MS)

Quem passa pela rua tranquila, de um bairro da cidade de Dourados,

Priorização do 1º grau: Justiça de SE instala novas cinco unidades

Priorização do 1º grau: Justiça de SE instala novas cinco unidades

Para melhorar continuamente os resultados dos serviços à...

  • Taxa de ocupação dos presídios brasileiros

    Taxa de ocupação dos presídios brasileiros

  • Entrega de uma roçadeira à assistida Joice

    Entrega de uma roçadeira à assistida Joice

  • Drauzio aos juízes: Visitem as cadeias

    Drauzio aos juízes: Visitem as cadeias

  • Ressocialização: detentas produzem produtos diversos em Dourados (MS)

    Ressocialização: detentas produzem produtos diversos em Dourados (MS)

  • Priorização do 1º grau: Justiça de SE instala novas cinco unidades

    Priorização do 1º grau: Justiça de SE instala novas cinco unidades

  • Cármen Lúcia assina decreto que obriga empresas a contratar presos e egressos

    Cármen Lúcia assina decreto que obriga empresas a contratar presos e egressos

Prisão da alma

a nível nacional, encontra-se em colapso. Nos quatro cantos do Brasil observando nossos presídios, enxergamos verdadeiros “circos dos horrores”, onde todos os direitos do ser humano são desprezados e pessoas são tratadas pior que animais, enjaulados, sujos, doentes, fora das vistas da sociedade.

Chamo você que está lendo essas linhas a refletir. Pense em 1943 no auge do período Nazista, pense nos campos de concentração com milhares de prisioneiros empilhados, doentes e desnutridos, entregues à própria sorte sem saber o que esperar do amanhã. Ficou comovido? Agora olhe para dentro do sistema prisional brasileiro, mudou alguma coisa? Ou será que é só o discurso sensacionalista falando mais alto em você?

As primeiras perguntas às quais temos de responder são: qual o motivo da mídia ter incutido na sociedade o sentimento de raiva em relação aos direitos humanos? Será que pelo simples motivo de ter delinquido o indivíduo deve ser torcido pelo sistema até a sua última gota de dignidade.

Para responder gostaria de incita-lo a refletir sozinho sobre dois grandes pensadores de nosso tempo. O primeiro é Louk Hulsman que coloca de forma esplendida em sua obra, “Penas Perdidas”, o problema do sistema penal, levantando uma questão que muito me chamou a atenção. Na segunda parte de sua obra, "Relatividade", ele chama à reflexão sobre o conceito de crime e questiona qual o denominador comum utilizado para definir a situação fática em questão e após isso ele afirma de forma categórica que esse denominador não existe, pois algo que era considerado crime ontem hoje não é mais. Chegando então à conclusão de que quem cria o criminoso é a lei e, portanto, da mesma forma que no regime nazista, a lei pura e simplesmente previa aquela punição ao Judeu pela sua “condição”, hoje acontece o mesmo.

O segundo é um autor Nietzsche, que em sua obra “Além do bem e do mal”, em seu parágrafo 289, afirma ser toda palavra uma máscara. Assim, sempre que nos comunicamos usamos nosso discurso para esconder nossas verdadeiras intenções, portanto nunca questionará um político sobre os motivos de sua candidatura e ouvirá a seguinte resposta: “Quero candidatar-me com o intuito de utilizar a máquina pública para satisfazer interesses pessoais e multiplicar meu patrimônio!” O mesmo ocorre com nosso sistema, mais especificamente a mídia, que com seu discurso enfurecido e sem muitos fundamentos enraizou um verdadeiro sentimento de ódio e raiva em todos nós sobre o tratamento do condenado; esperamos que ele seja condenado e privado de qualquer tratamento digno, queremos que ele seja torturado e massacrado física e psicologicamente, mas quando paramos para pensar o motivo de sentirmos isso, só conseguimos achar argumentos frívolos, vazios e sem lógica.

Freud na obra “O mal-estar na civilização” deixa a entender que o homem é um ser que nasce mal e imperceptivelmente durante sua vida age sempre com o intuito de maximizar seu prazer e diminuir sua dor. O problema é que o sistema capitalista moderno conseguiu erotizar todas as suas ferramentas e transferir o libido humano para o consumo. Assim somos impulsionados a satisfazer nossos desejos e obter prazer pelo consumo. Portanto, quem não consome não existe e é invisível para a sociedade, só se tornando perceptível quando quebra com a lógica do sistema, lógica essa que resume-se a trabalhar e consumir, e toma a força o que o próprio sistema o ensinou a desejar.

Não quero aqui tornar meu discurso libertador para aqueles que delinquem, só quero chamá-lo, com um pouco de sobriedade e menos sensacionalismo, a refletir sobre essa questão complicada que é nosso sistema prisional. Sistema esse que existe há pouco mais de dois séculos e já mostrou-se totalmente ineficaz e altamente discriminatório, que possui seu público alvo.

 

Cabe pensarmos os motivos de sua existência e se realmente pagando o mal com mal estaremos dando respostas efetivas para problemas tão complexos.

Quero chamar você a ir ainda mais além, responda essa pergunta a você mesmo: “O que é viver em sociedade?”

Creio que quando atravessar as grades invisíveis do sistema capitalista e enxergar o que há lá fora poderá responder a pergunta acima de forma satisfatória e desamarrar-se, libertar-se dessa prisão da alma.

 

Filipe Castro

 

Fonte: Publicado por Filipe Castro

Sou estudante de direito, apaixonado pelo que faço, adoro escrever, comecei a trabalhar cedo, aos 13 anos, por necessidade, desde então...

 

 

 

Direitos Humanos

Declaração Universal dos Direitos Humanos

Visitas ao Site

364228
Hoje
Ontem
Esta Semana
Semana Passada
Este Mês
Mês Passado
Total de Acessos
217
367
584
357481
6034
13281
364228

Your IP: 54.225.26.44

CCEP NO SOCIAL

Palavras do Presidente

Sistemas Penais

 

 

 

Joomla templates by Joomlashine